sábado, 7 de agosto de 2010

202h

a base permaneceu. só tenho ela agora. não há telhas, nem paredes, nem assoalho. há a raiz, potencialidade de toda a vida. e na raiz eu confio, pois é nela que estão aqueles tecidos meristemáticos que darão origem à todo o resto. o solo está encharcado. na superfície há uma camada de gelo. as temperaturas não aumentam. ainda acredito na raiz. outro dia me olhei no espelho e te vi ao meu lado. nunca me esqueço de dar-te beijo de boa noite mas hoje só depois que eu estava pronta para sair que me lembrei do teu bom dia. e este silêncio forçado foi muito bem programado por aqueles que nos reaproximaram um dia. silêncio físico. minha alma não pára. busca te encontrar e te viver. ontem fui o vento que soprou-te nos ouvidos o meu abraço eterno. lembras? aquela concha que tu me deste vinda da tua última grande viagem por portugal, em alguma praia donde duas conchas se escondiam para poderem entrar em nossa história. talvez sejamos tão velhos quanto elas. esta é a raiz . é nela que eu confio.


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