terça-feira, 3 de março de 2009

u m e s p e c t a d o r

Tornei a virar o rosto para o lado e quando dei por mim podia ver tudo: passado, presente e futuro bem ali em minha frente. Traçando diálogos comigo, provocando-me e questionando. Um convidando a descer a rua um pouco mais e ficar a admirar um pouco mais a cerca verde de bolor um pouco mais colorida pelas novas vidas que nela tem nascido. Outro convidando a ficar, sem ir a nenhum lugar...sem definições e certezas como quando se vive as coisas no momento e não se sabe exatamente o que se vive e o que viver. E rua acima dançava e cantava com os olhos nos meus, reconhecendo em mim a si mesmo...e a melodia me agrada...
E neste momento meu coração tragou meus olhos, querendo sua atenção apenas para ele...e parei de olhar para fora.
Aqui dentro encontro o calor.

Um comentário:

  1. Num lugar existem azulejos com motivos florais e paredes caiadas.
    O sei, vi essas frações e interpreto as flores a partir de mera curva. Sei da alvura, da extensão em cal, pela luminância, o quintal.
    O que não antevejo são as eclipses. O crescente e o minguante dentro do espaço. A lanterna-mágica de suas fases, esquivas-ofertas; invade o que há de livre, nutre o segundo plano (o mais amplo dos planos).
    O rendado branco ali permanece; fiandeiras de arabescos, linhas que se entrelaçam e agora caem livremente em curva.
    Permito-me um último gesto, um salto de fé. Em momentos de queda livre, só se possui a resistência do ar como abrigo. A fertilidade do pouso parece tão sólida; um vilarejo ideal para depositar este universo que carrego na esfera de pétalas adormecidas.
    Mas a outra face da lua talvez exista; aquela para onde vou quando vejo que as projeções são apenas ecos de minha voz; autofagia dos sentidos.
    Ignoro esta possibilidade por hora, por crer, e ver (n)os motivos florais, as paredes caiadas.

    André

    ResponderExcluir